Espaço Psi-Saúde Site & blog da psicóloga Thays Babo

29/09/2010

Festival do Rio

Filed under: Espaço Psi-Saúde — Thays @ 16:24

Tá, é verdade: é uma vergonha eu não ter sequer mencionado o Festival do Rio de 2010. Vergonha mesmo, absoluta, é que mal conferi a programação. É que coincidiu de eu estar atolada de trabalho … Mas, vou tentar dar uma selecionada em algo de bom para ver este final de semana e contar pra vocês.

Ouvi falar muito bem de dois documentários: um sobre Saramago e outro sobre bebês.

E você, já assistiu algo ou pretende ? Conte aqui o que você gostaria de ver…

Confesso que gostaria mesmo de ver o novo do Woody Allen – se bem que este, com certeza, estreia aqui depois…

12/09/2010

Então, ela me encontrou

Este é o título original do filme de estreia de Helen Hunt como diretora (aqui, se chama “Quando me apaixono”). O cartaz brasileiro sugere que se trata de uma comédia romântica, trazendo também um comentário do crítico de Variety, que diz que é “extremamente engraçado”. Hum… em algumas cenas, até é um pouco. Mas nada que faça gargalhar.

Depois de alguns minutos de projeção, descobre-se que decididamente o filme não é uma comédia romântica, podendo ser, talvez, classificado como drama romântico. Mas muito melhor seria dizer que é um drama familiar que aborda o dilema das mulheres que se veem às voltas com o dilema de  ter ou não filhos e serem pressionadas pelo relógio biológico.  Se você continuar a leitura a partir daqui, verá spoilers – incluindo o trailer.

 

April (Helen Hunt) é professora infantil, filha adotiva de uma judia, que a pressiona para ter filhos. Nem que tenha de adotar, como ela mesma fez. Casada tardiamente, aos 39 anos, seu marido  se encaixa melhor no perfil de filho do que de bom candidato a pai. Sentindo-se pressionado pela ânsia de April em ter um filho,  sai de casa, deixando-a totalmente sem chão. Para culminar, no dia seguinte, sua mãe adotiva morre. E logo na sequência, conhece o pai de um aluno, Colin Firth, que foi abandonado pela esposa e está extremamente carente. Alguns dias depois, April é procurada pela sua mãe biológica, papel de Betty Middler. Ou seja, em poucos dias, a vida de April dá uma reviravolta. Nada fica no lugar, tudo do que ela poderia achar pior acontece ao mesmo tempo. A protagonista encontra  uma mãe biológica muito diferente dela mesma, muito diferente do ideal de mãe. Não sabe exatamente o que esperar dela, como confiar. Decepciona-se, mas dá uma chance. Arrepende-se desta chance. E aí a mãe tem de se empenhar para finalmente conquistar a filha.  Paralelamente, April começa um relacionamento amoroso, mas descobre que está grávida. Não dele: do ex-marido.

Uma curiosidade: o seu ginecologista-obstetra é interpretado pelo escritor britânico Salman Rushdie,de origem indiana, jurado de morte por ter escrito Versos Satânicos.

O filme lida com  questões complicadas – maternidade, paternidade, casamento. E também trata da  adoção: tanto ser dado para adoção como adotar. Trata de perdão. Trata de construção de relacionamento entre mãe e filha, passando por dolorosas descobertas. Trata de recomeços. Ótimo para debater relacionamentos familiares. 

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Thays Babo é psicóloga clínica e Mestre em Psicologia Clínica pela Puc-Rio, com formação em TCC e extensão em ACT (Terapia de Aceitação e Compromisso). Atende em Copacabana e no Centro do Rio

07/09/2010

Adorável Regresso

Filed under: Espaço Psi-Saúde — Thays @ 16:24

Anunciado há meses, estava doida para ver Nosso Lar. Fui, na semana de estreia. Não sei se você recebeu um email falando da importância de prestigiar este filme na primeira semana, para que seja mais fácil sua colocação no mercado internacional. Parece que o público atendeu ao apelo, pois o cinema estava bem cheio. Que seja, afinal, ‘o mundo precisa de histórias felizes’. E Nosso Lar conta a possibilidade de ser eternamente feliz – se trabalharmos para isto.


Resuminho da história: André Luiz era um médico de bastante sucesso, bem realizado na vida profissional e familiar, e sua jornada após sua morte. No filme não fica claro, não lembro se no livro fala, se a doença é um câncer. Ao chegar no mundo espiritual, se depara com um cenário dantesco. A cenografia do Umbral (que corresponde ao que se descreve como Purgatório) foi inspirada nas gravuras de Gustave Doré, retratando O inferno, segundo Dante). André sofre um longo tempo sem entender porque estava ali. E fica ainda mais assustado com a acusação de suicídio. Ele tinha certeza de que não ser suicida. Em um determinado momento, já exausto, faz uma prece. Aí é então socorrido e levado para uma colônia espiritual, Nosso Lar.

É aí que muitos acham absurdo. Aliás, conheço muitos simpatizantes do kardecismo que acham a ideia de colônias uma ‘viagem’. Outros – e os mesmos – duvidam da existência de tanta ‘tecnologia’ – que Chico descreveu no início do século passado, antes mesmo de surgirem por aqui. A estes eu digo: “ué, veja então como se visse Harry Potter, como uma fantasia.” (No fundo, tenho uma esperança de que algo os ‘desperte’…)

Quando li o livro, uma única vez, há muitos anos, numa época em que devorava os livros kardecistas, tudo o que André Luiz ditou para Chico Xavier fez enorme sentido para mim. Como não faria? Já conhecia Platão e o que ele dizia sobre o Mundo das Ideias e que aqui é Mundo das Cópias, onde se está afastado da realidade, e que tudo aqui é cópia imperfeita, era totalmente lógico pra mim. Afinal, se o homem é capaz de construir maravilhas tecnológicas, o que espíritos mais evoluídos não conseguirão fazer com uma matéria mais sutil, menos densa? Ah, sim, para isto tem de se acreditar que há vida após a vida, que espíritos evoluem e que não se recomeça do zero. Conceito básico.

O filme é didático: o que se mostra é a importância da ação correta, do pensamento correto. A necessidade de combatermos nosso orgulho e apegos. A beber a santa água da paciência. 🙂 Simples atos nossos, no dia-a-dia, que parecem inofensivos, inócuos, revelam-se os construtores do futuro espiritual. Aconselharia a quem não conhece a história a assistir ao filme ‘desarmado/a’. E repensar a vida, com total responsabilidade. Uma crítica que li de um jornal de grande circulação nacional foi tão reducionista que deu pena. Complicado mandar alguém resenhar um filme deste tipo sem conhecer as premissas básicas… Realmente, pode parecer algo positivista. Mas é a lei da física pura, 3a lei de Newton. O que é carma, senão “ação e reação”? Muitas gente prefere atribuir ao acaso as coisas que lhe acontecem, sem procurar as ‘causas’ – sem culpabilizações. Porque assumir nossa responsabilidade aponta, em geral, para uma mudança.

Ah, sim, em um primeiro momento, quando se pensa nisto a sério, pode-se advir uma grande carga de culpa: “Puxa, se sofro assim, devo ter sido uma peste!!!”. É bastante comum que pacientes de psicoterapia , que são espíritas, sintam uma enorme culpa, massacrante. Como ouvi uma vez de uma experiente psicoterapeuta, “Os pacientes espíritas são os piores, porque eles querem ser anjos antes de serem HUMANOS”. Na época, ainda nem estudava Psicologia, mas a afirmação mudou minha vida e a maneira de ver muitas coisas.

Enfim, o que o filme não teve tempo de mostrar é que não há necessidade de se soterrar sob a culpa. Muito pelo contrário. O caminho é a MUDANÇA. Isto só se percebe ao estudar mais a fundo a doutrina ou outras tradições espiritualistas. Tomara que a repercussão seja tamanha a ponto de este ser apenas o primeiro da série de livros de André Luiz. (Nossa, este tópico está quase virando de doutrinação. Melhor parar por aqui, com esta campanha: vá ao cinema, prestigie o filme e possibilite os próximos!) 🙂 Assista ao trailer clicando em:

nosso lar

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05/09/2010

Correndo por fora… Cartas para Julieta

Ao ler a sinopse deste filme, pensei: “Mais uma surrada história de amor”. Com tanta coisa boa pra ver, seria bastante improvável que eu escolhesse justo este. Mas, ao saber que as locações eram Siena e Verona, o amor pela Itália falou mais alto. Segui a dica ‘turística’ e suspendi o juízo cinematográfico. 🙂

Encarei a chuvinha no Rio, pensando que não haveria viv´alma no cinema mas, ó surpresa! A sala 1 do Laura Alvim estava lotada. Muitos casais e até famílias assistiam junto. Clima de romance no ar. O elenco é renomado: Vanessa Redgrave, Amanda Seyfried, Gael García Baernal, com participação especial de Franco Nero. De desconhecido (pra mim) só Christopher Egan, que achei a cara do Heath Ledger – mais alguém achou?


Resumindo ao máximo: Amanda Seyfried é Sophie, noiva de Victor (Gael), e parte com ele para uma viagem pré-nupcial para Verona, cidade de Romeu e Julieta. Só que ele é workaholic e deixa a noiva com grande tempo para repensar  a relação dos dois. Sophie, que pretende ser escritora, se surpreende ao descobrir as ‘secretárias de Julieta Capuletto’ e, com isto, uma nova motivação profissional. Para passar tempo, também mergulha no trabalho das secretárias e, por acaso (para quem acredita nele!), descobre, no  muro da ‘casa de Julieta’, uma carta ali deixada há 50 anos. Resolve ela mesma responder – e, dias depois, a remetente (interpretada por Vanessa Redgrave) aparece no local. Ambas partem, junto com o neto (Christopher Egan), em busca do romance perdido

Cartas para Julieta tem momentos bem divertidos, mas sabe-se que a maioria dos homens fica entediada com filmes como este, típica comédia romântica. Não tem doses pesadas de humor e reforça o estereótipo de como os italianos são sedutores, independente da idade ;-). Aliás, vemos ali vários estereótipos , mas vamos relevar, em nome da mensagem otimista, tipo ‘nunca é tarde para encontrar um grande amor perdido’. Ou ‘enfrente seus medos’ – inclusive de rejeição. Gente, será que isto foi spoiler?





O ponto ‘negativo’ é que dá uma vontade danada de comprar uma passagem pra Itália e ir conferir de perto as piazzas, os gellatti e a beleza daquele país, in loco. Mas, como nem sempre dá, tente pelo menos ver na telona , muito melhor do que ver em casa…

Lá nos minutos finais, uma pitada leve de filosofia existencialista: a maldição do “E se?” (what if?). Ou seja, o filme fala daquelas dúvidas que a gente arrasta pelo resto da vida, por não ter agido quando deveria, não ter apostado, por medo. O preço é carregar a tal culpa existencial. E a dúvida.

Sorte que tem gente que pode reverter e correr atrás do prejuízo. Cartas… dá um empurrão em quem precisa fazer as pazes com o passado. Afinal, pra que esperar 50 anos? A existência nem sempre é tão generosa

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Thays Babo é Mestre em Psicologia Clínica pela Puc-Rio e atende no Rio de Janeiro (Centro)

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